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Análise de Defeitos
Comuns em Vidrados Cerâmicos |
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Richard Eppler |
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Resumo
Este trabalho aborda de maneira resumida os aspectos relacionados com a
formação de defeitos em vidrados cerâmicos, bem como os inconvenientes da
utilização de certas matérias primas na formulação dos mesmos. Os mesmos
assuntos foram tratados de maneira mais completa em um livro publicado
pelo mesmo autor. No artigo, preocupa-se em colocar de maneira prática as
ações corretivas que podem ser tomadas para a eliminação ou a minimização
dos defeitos analisados. Primeiro, os carbonatos alcalinos: sódico (Na2CO3), potássico (K2CO3) e de lítio (Li2CO3) são todos altamente solúveis em água. Uma vez dissolvidos em uma suspensão, tais matérias primas irão alterar as propriedades reológicas da mesma. Exceto quando adicionadas na forma de defloculantes, em baixos teores, elas não devem ser usadas. Se por um lado o carbonato de cálcio e a dolomita podem ser usados em esmaltes de alto ponto de amolecimento, os carbonatos de estrôncio e bário devem ser evitados. A temperatura de decomposição destes materiais é tão alta que o dióxido de carbono gasoso emitido permanecerá retido no esmalte, produzindo defeitos relacionados com a presença de bolhas. Um problema diferente surge com o uso de boratos minerais Gerstley Borate e colemanita. Estes minerais são produzidos em volumes tão pequenos que é economicamente difícil manter sua uniformidade de composição. Variações substanciais podem e freqüentemente (às vezes de saco para saco). Este fato pode causar muitos defeitos de esmalte. Desta forma, não é possível fabricar um produto uniforme ao longo do tempo com estes materiais. Além disso, estes minerais são hidratados. Em uma suspensão aquosa, eles vão gradualmente dissolvendo-se e alterando as propriedades reológicas da suspensão. Deste modo, um esmalte contendo Gerstley Borate pode inicialmente apresentar propriedades reológicas adequadas, mas depois do armazenamento da suspensão, produzir furos e bolhas. Mesmo para uma produção limitada rodar ou para a produção de uma única peça, requer-se uma precaução extra. Material suficiente para toda produção precisa ser comprado de um único lote. O esmalte para cada dia de trabalho precisa ser dosado, moído e usado no mesmo dia.
Os óxidos de chumbo e cádmio são materiais tóxicos. Os requisitos para o
manuseio seguro na fábrica e para o descarte dos resíduos contaminados com
estes óxidos são caros e custosos para a implementação. O uso de
bisilicato de chumbo ou outra matéria prima contendo óxido de chumbo deve
ser evitado. A maior parte das pequenas bolhas tem pouco efeito sobre a qualidade do vidrado. Entretanto, quando as bolhas maiores chegam à superfície, ocorrem distúrbios na mesma e isso se torna um problema. Para resolver os problemas com bolhas, nós recomendamos que você:
Alguns cuidados adicionais devem ser tomados. A composição do esmalte pode ser tal que seu selamento está ocorrendo em uma temperatura muito baixa. Como resultado, existe um tempo insuficiente para o gás escapar. Este fato é particularmente importante em ciclos de queima rápida. Além disso, um esmalte de baixo ponto de amolecimento é usualmente muito reativo com a interface do substrato. A qualidade da frita também deve ser considerada. Inclusões de materiais infundidos nas fritas também são fontes de bolhas. As fritas usadas para esmaltes isentos de chumbo devem ser completamente fundidas para eliminar inclusões.
Sais solúveis de vanádio são fontes notáveis de “covinhas”. Quando um esmalte devidamente formulado ainda exibe uma superfície com “pinholes”, a técnica de aplicação do esmalte deve ser examinada. Os furos podem ser causados na aplicação por aproximações exageradas das pistolas de pulverização das peças ou por uso de pressões de ar exageradas. O defeito ainda pode surgir quando um segundo spray é aplicado antes que a primeira camada esteja completamente seca. Textura superficial – refere-se ao excesso de rugosidade da superfície de um vidrado. Estas irregularidades podem surgir em decorrência de uma ou mais causas. Viscosidade excessiva na temperatura de queima do vidrado ou ciclo de queima (tempo e temperatura) inadequado podem causar este defeito. A textura superficial também pode resultar da presença de bolhas, que já foram discutidas anteriormente, ou de suas crateras. Pode resultar da aplicação imprópria do esmalte, pois muitos esmaltes não têm capacidade de alisar após uma aplicação rugosa. Gretamento – Aparece como um conjunto típico de microtrincas no esmalte, que se estende da superfície externa até a interface do esmalte com o corpo. Este defeito é causado por uma diferença entre os coeficientes de expansão térmica do esmalte e do corpo. As ações que podem aumentar a resistência ao gretamento incluem:
Pintas de partículas – uma pinta é uma partícula discreta de material não reagido ou não-molhado no esmalte. Embora existam muitas causas para seu surgimento, a causa mais freqüente é a contaminação por materiais estranhos, os quais freqüentemente contém ferro. Existem várias fontes destes contaminantes.
Rasgos / Repicados – quando ocorrem, áreas de
formato irregular não recobertas por esmalte ou parcialmente esmaltadas
deterioram a uniformidade do esmalte queimado.
Riscos / Marcas – se por um lado os esmaltes não podem ser cortados, eles podem ser riscados e/ou marcados com metais duros. A facilidade dos metais marcarem o esmalte ou riscá-lo varia entre os vidrados. Vidrados mates isentos de chumbo são os vidrados mais fáceis de marcar, mas também são os mais fáceis de limpar.
Vidrados opacos brancos sem chumbo variam em grande magnitude quanto à
facilidade de marcar, mas eles são os vidrados mais duros para se remover
as marcas de metal. A presença de zircônio cristalino como opacificante em um vidrado aumenta drasticamente a incidência de marcas de metais. Vidrados brilhantes não-opacificados apresentam alta resistência às marcas de metal. Esmaltes opacos brilhantes apresentam a formação de trincas ao redor de partículas de zirconita na superfície do vidrado. A presença de trincas permite a deposição de metal ao redor e no interior das trincas, resultando na formação de severas e permanentes marcas de metal. Conclusões Estas análises ilustram nossa preocupação na compreensão dos esmaltes e recobrimentos vítreos relacionados (como esmaltes para chapas metálicas) juntamente com os pigmentos usados para colorir e decorar estes produtos.
O presente trabalho foi publicado
anteriormente, sob o título “Glazes and Glass Ceramics” no American
Ceramic Society Bulletin vol.78, n 11, páginas 69 à 71, 1999 e é parte do
livro “Glazes and Glass Coatings” publicado pela American
Ceramic Society. O autor e a American Ceramic Society autorizaram a
tradução e publicação neste periódico. |