Glossário de Termos Cerâmicos
 

ÁGUA

O conceito de água é muito importante na cerâmica. Pode-se falar de água física ou química, e também de formação ou de combinação. As primeiras denominações, física e de formação :correspondem a água ou a umidade que nós juntamos fisicamente à massa, e que se evaporará.

A água química ou de combinação é aquela que : quimicamente combinada a argila (não esquecer que essa é um silicato de alumínio hidratado: AlÒ3 - 2SiO2 -2hò) e que é a decomposta e separada das peças à partir dos 450ºC do ciclo do forno.

ALUMÍNIO

 É o oxido de alumínio: Al2 O3. Juntamente com a sílica, é um dos ingredientes mais importantes na constituição das argilas e dos esmaltes, conferindo-lhes resistência e aumentado sua temperatura de maturação.

AMASSAR

Processo executado com as mãos e os dedos para homogeneizar a umidade da, lhe dar a consistência desejada e eliminar as bolhas de ar.

ARGILA

Segundo Bernard Leach, em seu Manual do Ceramista: "Determinadas terras e rochas pulverizadas formam, quando combinadas com água uma massa suficientemente homogênea com a qual poderemos modelar formas chamadas de peças verdes, que endurecerão pela ação do fogo,  se transformando no produto chamado cerâmica".

E ele diz em seguida: "A argila é o resultado da decomposição dos feldspatos" o que concorda com outras definições, o que acontece é a decomposição de rochas graníticas em combinação com outras impurezas, e cujas partículas deverão ser muito finas, o que lhe conferirá a característica de plasticidade necessária para a modelagem de formas quando se junta a água necessária. A fórmula química da argila pura é Al2O3 -2SiO2 -2H2O.

Existem muitas formas de classificar a argila: segundo sua origem: primárias ou secundárias; segundo sua plasticidade, em gordas ou magras; podemos também falar em argilas refratárias, argilas de cerâmica compacta, argilas de bola, e outras.

Em particular usamos esse termo como sinônimo de barro ou massa cerâmica.

ATMOSFERA

 Quando nós utilizamos essa palavra em cerâmica, queremos nos referir precisamente ao tipo de atmosfera existente no forno, no momento da queima.

A atmosfera é oxidante quando for rica ou abundante em oxigênio, e redutora quando fechamos os queimadores ou quando começa a faltar oxigênio na combustãp e por conseqüência como para termos combustão precisamos de oxigênio, na redução o oxigênio da massa ou dos óxidos começam a ser queimados produzindo efeitos variados.

A diferença do resultado desses dois tipos de queima é verificada geralmente na cor das peças e no efeito dos óxidos corantes, tanto nas biscoitadas, como nas esmaltadas.

SOB ESMALTE OU BAIXO ESMALTE

Cor de decoração que é aplicada na peça biscoitada e que será em seguida coberta com um esmalte transparente. É também conhecida como baixa esmalte.

BARBOTINA

Mistura líquida, porém espessa de água e argila, que é utilizada para colar partes de uma mesma peça trabalhada separadamente.

ESMALTE

Suspensão líquida de minerais finamente moídos, e das quais aplica-se em peças cerâmicas, geralmente depois de biscoitadas, através de pincéis, banho de imersão ou borrifação. Essas peças esmaltadas são queimadas no forno, até a temperatura necessária para obter a fusão da mistura dos ingredientes, que se transformarão numa cobertura vitrificada, firmemente aderida ao corpo da argila.

Existem diversas maneiras de classificar os esmaltes: de alta ou baixa temperatura, segundo a temperatura que cada uma tem de atingir para chegar ao seu ponto de maturação. Plúmbeos, alcalinos ou feldespáticos, segundo os fundentes utilizados em sua preparação; podem ser distinguidos também pela suas texturas, aspectos visuais, como esmaltes mates, cristalinos, transparente, opacos, semimates, acetinados, etc. Ver corantes.

BISCOITO

Peça de cerâmica queimada sem esmalte em baixa temperatura, em geral como preparação para a aplicação do esmalte.

CALCINAÇÃO

Redução de substâncias vegetais em cinzas, por meio de fogo violento ou de substâncias metálicas e minerais em cal ou óxido.

CAOLIM

Argila pura que se usa na preparação de massas e vidrados cerâmicos. Depois da queima sua cor é branca e sua fórmula química como a da argila. Também conhecida como argila chinesa, caulim deriva da palavra china "kao-lin" que significa montanha de argila.

CERÂMICA

Arte ou técnica para produzir objetos duros e resistentes, moldados com a mistura de argila e água, e logo levados ao forno a uma temperatura de 800ºC ou mais. Também chamamos de cerâmica estes mesmos produtos resultantes.

CERÂMICA DE ALTA TEMPERATURA

Também conhecida como stoneware, se queima em cone 8 ou mais. Embora pudesse ser chamada de irmã da porcelana, é mais grossa e sua cor pode ser cinza, rosada ou creme.

CERÂMICA DE BAIXA TEMPERATURA

É a cerâmica de baixa temperatura, queima a cone 04 ou menos. Como diz seu nome, ao contrario da cerâmica de alta temperatura, não esta ainda sinterizada. Pode ser branca, mas é muito freqüente na cor típica da lajota (vermelha).

CORANTES

Óxidos metálicos como os de cobre, ferro, cobalto e outros, que servem para colorir bases de esmaltes incolores. Basicamente poderia-se dizer que são o conteúdo de cor dos esmaltes, e são muitos característicos:

  •  o cobalto queima azul,

  • o cobre, verde e até vermelhos.

A cor resultante se pode trocar ou forçar de forma dramática, quedando as peças em atmosfera oxidante ou redutora, ou se os esmaltes contiverem outros ingredientes com os que interagem.

CONES PIROMÉTRICOS

Pequenas pirâmides, de uns 5 cm de altura, que servem para medir a temperatura do forno; São fabricados com tal composição que se dobram e fundem ao alcançar determinada temperatura. Os diferentes cones se diferenciam por números (04, 05, 06) e cada um reapresenta uma faixa de temperatura.

Uma prática usual é colocar dois ou três cones de números consecutivos, para acompanhar a evolução da queima; quando o mais baixo se dobra e cai, o ceramista deve ficar atendo para a caída do seguinte, que é quando se apagará o forno.

O outro extremo serve para atestar que a queima não alcançou uma temperatura excessiva. Durante a queima, os cones podem ser observados através do visor, um buraco na porta do forno.

CONTRAÇÃO 

Durante a secagem, e devido à perda de umidade, as peças de argila sem queimar sofrem um encolhimento que pode chegar a 20% de seu tamanho original. Posteriormente, na queima, reduzirá ainda um pouco mais. Às vezes, nos surpreendamos com essa mudança de tamanho.

COURO

Estado das peças de cerâmica cruas que perderam a maior parte da água física, e que se reconhece porque já não obedecem a pressão dos dedos. Sua consistência é rígida, e é o melhor momento para esgrafitar, brunir ou engobar.

CHAMOTE

Argila calcinada, triturada ou moída, que se agrega a argilas muito plásticas para conferir-lhes resistência e também para reduzir o encolhimento. Também conhecido como grog. Dependendo da quantidade que se agregue e seu tamanho, o chamote traz às peças resistência a queima e também texturas ásperas ou rugosas, que também se transmitem aos esmaltes já queimados.

ENGOBE

A princípio, poderíamos dizer que se trata da mescla de argilas e água, em uma suspensão espessa, colorida com óxidos metálicos ou pigmentos cerâmicos, que se utiliza para a decoração de peças cruas, em estado de couro.

Geralmente se aplica com pincel ou por imersão. Alguns autores nos dizem que suas características devem estar entre as da argila e o esmalte, o que é mais vítreo que a massa e menos que o esmalte. É a decoração por excelência das cerâmicas americanas pré-hispânicas.

ESGRAFITO

Decoração que se coloca sobre peças cruas, engobadas e ainda úmidas, desenhando sobre o engobe  e deixando aparecer a cor da argila do corpo da peça. Também conhecida como sgraffito.

COLUNAS

O modo em que se acomodam ou apóiam as peças cerâmicas dentro do forno para a queima. Quando trata-se de um biscoito, as peças podem apoiar-se umas sobre as outras; quando se queimam esmaltes, cada peça deve estar cuidadosamente separada das outras para que os esmaltes, ao fundirem-se, não grudem nos outros e no chão do forno. Nas colunas  pode-se utilizar pacas e pilares de material refratário para facilitar o acomodo de as peças.

FRITA

Esmalte parcial ou completo, fundido no forno até alcançar a condição de vidro, resfriado e logo moído. Usa-se para esmaltar peças ou na a preparação de outros esmaltes. Com este procedimento se elimina a toxicidade do chumbo e a solubilidade dos fundentes alcalinos.

FUNDENTE

Além da sílica e a alumina, os esmaltes devem contar com os fundentes, terceiro elemento de ponto de fusão mais baixo, que reduzirá a temperatura de maturação das duas primeiras. Segundo as temperaturas que se deseje alcançar, estes compostos variam: o chumbo e os álcalinos para as mais baixas, e o sódio e o potássio dos feldspatos para as altas.

GRES

Termo de origem francesa, utilizado para designar a cerâmica de alta temperatura. Também equivalente a stoneware ou cerâmica de alta temperatura.

FORNO

Câmara construída de tijolos refratários e provida de um equipamento de aquecimento que pode ser alimentado por diferentes combustíveis (eletricidade, gás, lenha, etc.), e que ao alcançar até altíssimas temperaturas, permitindo a queima das peças em biscoito e também esmaltes.

Muitos artistas tradicionais queimam suas peças em buracos escavados no chão, ou as cobrem com terra e pedras, e utilizam como combustível lenha e outros materiais.

Existe uma infinidade de tipos de fornos, desde os improvisados com tambores ou tanques metálicos, cobertos com tijolos refratários, os de rakú, e os grandes fornos contínuos ou de túneis da cerâmica industrial, onde as peças entram em pequenos vagões, como trens, passando pelas diferentes temperaturas, e no final do túnel saem queimadas ou esmaltadas.

POLIMENTO

Ato de polir com ajuda de uma pedra, de uma colher ou de outra ferramenta uma peça cerâmica em ponto de couro, com o intuito de selar os poros da mesma e promover brilho na superfície.

MATURIDADE

Estado em que a massa cerâmica desenvolve sua maior rigidez e densidade. Enquanto os esmaltes, neste ponto se fundem completamente, aderindo-se intimamente à massa e adquirindo uma textura lisa ao tato.

MOLDE

Elemento geralmente de gesso, que contém uma forma oca (o negativo de uma forma), que será cheia com massa em forma de suspensão líquida espessa, de forma a obter-se a forma positiva. O molde pode ser composta de uma peça ou de várias, de acordo com a complexidade da peça; estas se encaixam umas nas outras mediante umas pequenas cunhas que no lado contrário correspondem a buracos. Neste caso, para evitar que o molde se abra e o barro  escorra, amarramos firmemente com cordas ou tiras de borracha. Usa-se muito os câmaras  de automóveis cortadas no comprimento em círculos.

Também existem os chamados moldes de pressão, que quase sempre devem ser de uma só peça: em lugar de usar barbotina, usamos  placas de massa cerâmica, apertando-as firmemente contra o molde até cobri-lo e obter a peça. Quando secar ligeiramente a massa, pode-se retirar. O molde de pressão quase sempre tem uma forma côncava, mas também se pode usar um convexo.

MOINHO DE BOLAS

Jarra ou tubo cilíndrico de porcelana com esferas do mesmo material em seu interior, que ao girar permite moer ou descaroçar materiais secos ou úmidos que servirão como ingredientes para massas ou esmaltes. Devido ao seu peso e tamanho, o usual é que o moinho seja movido por um motor elétrico. O sentido de usar bolas de porcelana para moer ou triturar, é que por ser um material muito duro, a mesma porcelana se desgasta pouco e não contamina o material que se está moendo.

OPACIFICANTES

Óxidos como o de estanho, que por sua composição química impede que penetre a luz através do esmalte a que foram agregados, transformando uma base transparente em opaca.

MASSA CERÂMICA

Mescla de argilas e outros ingredientes, que servem para fabricar as peças cerâmicas.

PIRÔMETRO

Instrumenta para medir a temperatura dento do forno; existem os elétricos e os mecânicos, análogos e digitais. A diferença significativa dos termômetros, é que os pirômetros se colocam dentro do forno e ficam expostos diretamente ao fogo (em grego, piros significa fogo). Fornos elétricos modernos podem ter integrado um pirômetro, e através de suas leituras, um pequeno  computador programa a queima, a carga de energia, as horas que deverá durar e o memento de apagar-lo. Uma espécie de "piloto automático" da queima.

PLASTICIDADE

Característica da argila que lhe permite ser modelada e reter a forma, sem deformar.

PORCELANA

Cerâmica branca, vitrificada e translúcida que queima nas mais altas temperaturas (cerca de 1325ºC). Existem vários tipos conhecidos de porcelana: de China, de ossos, dura, de casca de ovo, e outras. As formas mais usuais de porcelana também utilizam como isolantes em fusíveis, torres de alta tensão e outras aparelhagens elétricas.

RAKÚ

Cerâmica porosa de baixa temperatura e aspecto rústico devido à adição de chamote.

Usa-se no Japão para as chaleiras e xícaras destinadas à cerimônia do chá. Em seus esmaltes, a base dos fundentes são o chumbo e o bórax.

Sua cozedura é muito típica e inusitada. Uma vez biscoitadas e esmaltadas, são colocadas com largas pinças em um forno que já subiu à temperatura necessária e se deixando no interior do fogo entre 15 e 30 minutos, até a maturação do esmalte. Logo são retiradas outra vez com as pinças, geralmente enquanto as peças ainda estão vermelhas. Elas se resfriam rapidamente, introduzindo-as em água, os que às vezes produz processo de redução no esmalte. Em geral, as peças de rakú atingem uma coloração desigual, manchada, e os resultados impossíveis de prever ou programar com antecipação.

REFRATÁRIOS

Materiais com altos conteúdos de alumina e sílica o que, devido a seu alto ponto de fusão, os faz resistentes a temperaturas muito altas. Por esta razão é que são usados como prateleiras e acessórios  para o forno, peças que também adotam o mesmo nome de refratários.

SÍLICA

Óxido de silício (SiO2). Encontrado na natureza, como pederneira ou quartzo. Junto com a alumina é o componente que forma a base das argilas, posteriormente com a adição dos fundentes obtemos os esmaltes que cobrirão os corpos cerâmicos.

SOBRE ESMALTE

Decoração de cor aplicada sobre o esmalte, cru ou já esmaltado. Neste último caso, a peça será enfornada por uma terceira vez, a uma temperatura mais baixa.

TERRACOTA

Cerâmica bem avermelhada. Significa  "terra cozida". Se usa com freqüência em escultura, sem esmaltar.

TORNO

Roda impulsionada com o pé ou com um motor elétrico, que faz girar certa quantidade de argila, a qual poderá ser torneada com as mãos. Peças obtidas no torno quase sempre serão redondas ou de corte circular, como copos, jarros e garrafas.

Teresa Arduino (c) 1998, USA
 

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